Saúde

Riscos de infarto em mulheres é maior e no inverno aumenta em 30%

Reprodução/Google

O número de infartos no time feminino vem crescendo e os sintomas nesse público nem sempre dão sinais claros de onde está o problema. Pacientes com doenças cardiovasculares tendem a sofrer mais com as baixas temperaturas que acabam sobrecarregando o coração.

O infarto do miocárdio, também conhecido como ataque do coração, é decorrência do entupimento de uma artéria. Isso acontece devido ao acúmulo de gordura que se deposita na parede da artéria do coração, dificultando a circulação sanguínea e facilitando a formação de coágulo que pode bloquear a passagem do sangue.

De acordo com o Dr. Marcelo Cantarelli, especialista em cardiologia Intervencionista da Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista (SBHCI), os riscos de infarto no inverno aumentam em 30% em relação às outras épocas do ano, principalmente em pessoas mais velhas e com doenças coronarianas. Esse fator está associado ao fenômeno de vasoconstrição. “Para não perder calor, os vasos se contraem, mantendo assim a circulação sanguínea na parte central do corpo, que tem uma sobrecarga no coração e o faz trabalhar com mais força para atender as necessidades cardíacas”, explica a presidente e especialista em cardiologia Intervencionista da SBHCI.

Quando se fala em ataque cardíaco, a maioria das pessoas logo pensa em um homem de meia-idade com fortes dores no peito. Mas já está na hora dessa imagem começar a mudar. Isso porque, a quantidade de mulheres que estão sofrendo com doenças cardiovasculares está aumentando assustadoramente. Atualmente, cerca de 30% dos casos de infarto acontecem entre elas e de cada dez óbitos provocados por esse tipo de quadro, quatro têm como vítimas pessoas do sexo feminino.

Pacientes com doenças cardiovasculares tendem a sofrer mais com as baixas temperaturas que acabam sobrecarregando o coração (Foto: Reprodução/Google)

Na década de 1960 essa proporção era de nove homens para uma mulher. E isso tem acontecido porque elas estão mais expostas a fatores que oferecem risco a esse órgão, como o aumento da circunferência abdominal, mais estresse, alimentação inadequada e pressão arterial acima do recomendado. Além disso, o coração delas é menor e as artérias coronárias são 15% mais estreitas, o que faz com que a sua frequência cardíaca em repouso seja naturalmente mais alta. Outro ponto que merece destaque no caso da mulherada é a alteração hormonal. As pílulas anticoncepcionais podem favorecer a formação de coágulos nos vasos, especialmente se estiverem associadas ao tabagismo. E quando chega a menopausa, a redução dos hormônios, como o estrógeno, faz com que o tônus das paredes das veias diminua e aumentem as chances de uma inflamação dar as caras, prejudicando ainda mais a saúde do peito.

Se todos esses fatores não fossem preocupantes o bastante, ainda há o fato de que os sintomas de infarto nas mulheres nem sempre são aqueles considerados clássicos: dor no peito que irradia para o braço esquerdo, suor frio, náusea e desmaio, por exemplo. Elas podem apresentar também falta de ar, arritmia e cansaço extremo, o que tende a confundir a pessoa, seus familiares e até mesmo alguns especialistas. Isso sem falar que as mulheres costumam ser mais tolerantes à dor, o que aumenta ainda mais as chances de ela demorar muito para procurar ajuda especializada, permitindo que o caso fique mais complicado.

Até agora, as pacientes que apresentavam até 10% de chance de sofrerem um infarto ou um acidente vascular cerebral nos dez anos seguintes, levando em consideração fatores como taxa de colesterol, pressão arterial, peso, idade e histórico familiar, eram enquadradas na categoria de risco médio.

Agora elas vão pertencer ao grupo de alto risco e poderão ser tratadas com medidas mais agressivas, mesmo que isso envolva o uso de medicamentos, para manter a taxa do colesterol ruim (LDL) em até 70 mg/dl.

Já as recomendações de fazer exames com frequência, (anualmente para quem é considerado saudável e de acordo com a recomendação do médico nos outros casos), conhecer seu histórico familiar relacionado a doenças do coração, tomar cuidado com o aumento de peso, praticar atividades físicas, se alimentar de maneira saudável e apagar o cigarro são recomendações que continuam valendo para todo mundo e podem ajudar a mudar essas estatísticas preocupantes.

 

MODOS DE PREVENÇÃO

Para prevenir-se dos males dos problemas cardiológicos, o Dr. Hélio sugere que as pessoas visitem seus cardiologistas para uma avaliação criteriosa, ajuste o medicamento e, caso sejam liberados, mantenham a prática regular de exercícios físicos e evitem sair desagasalhadas para prática dos mesmos no período com temperaturas mais baixas. “Os cuidados básicos para não sofrer com as doenças cardiorrespiratórias são: fazer check-up periódico, manter alimentação balanceada, controlar a pressão arterial, glicose, colesterol e peso”, afirma o especialista.

 

POR QUE ELAS SÃO MAIS PROPENSAS A PROBLEMAS CARDÍACOS?

Conheça os fatores que fazem com que as mulheres vivam à beira de um ataque do coração

– O órgão delas é 15% menor, as artérias coronárias são mais estreitas e a frequência cardíaca em repouso é mais alta, ou seja, o coração é naturalmente mais acelerado.

– O fato dos vasos serem mais apertados facilita o processo de entupimento.

– A diabetes aumenta de 3 a 7 vezes as chances de elas sofrerem com doença arterial coronariana. Nos homens o risco se eleva em 2 a 3 vezes.

– Estudos revelaram que o time feminino é 20% mais propenso a sofrer com angina, a dor no peito, do que o masculino.

– Trabalhos científicos também mostraram que ter um parente de primeiro grau com doença arterial coronariana eleva mais o risco de sofrer com o mesmo problema nelas do que neles.

– Ciclos menstruais irregulares e síndrome do ovário policístico podem se converter em ameaças para o peito se não forem devidamente tratados.

– O uso de pílulas anticoncepcionais pode prejudicar a saúde do coração, especialmente se forem associadas ao fumo.

– Na menopausa o risco de sofrer com problemas cardíacos aumenta ainda mais. Isso acontece porque os hormônios femininos que ficam em baixa nessa fase da vida mantêm o tônus das paredes dos vasos e reduzem as chances de inflamação. Além disso, a pressão alta e os níveis do LDL, o mau colesterol, tendem a piorar à medida que envelhecemos.

SBHCI

Fundada em 1975, a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) congrega cardiologistas e profissionais de saúde com atuação em Cardiologia Intervencionista. A sociedade tem como missão desenvolver a cardiologia intervencionista, certificar a atuação profissional e representar os associados com qualidade, eficiência e alto valor agregado em prol da comunidade.

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