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A Mulher na construção da Nação Brasileira

Por Chiquinho Pereira

Vivemos em um mundo onde, até pouco tempo, o papel destinado à mulher na sociedade era o de tomar conta da casa, cuidar do marido e educar os filhos. E aquela que não se emoldurasse nesse conceito era tratada como louca ou queimada em fogueiras por ousar expressar sua opinião sobre algum fato, como ocorreu na idade média. Tudo isso porque nossa concepção do mundo é pautada na figura masculina, onde o homem é o centro e a mulher, assim como a criança, é um ser incapaz, dependente do provedor de sua vida: a figura masculina.

Cabia a mulher apenas obedecer ao pai e depois de crescida ao marido, que se tornava uma espécie de protetor eterno, onde ela devia ser grata e obediente até o fim dos seus dias, sem direito a trabalhar e estudar. Portanto, sem direito a obter seu próprio sustento. Até pouco tempo essa era uma concepção natural do papel da mulher. Infelizmente, apesar dos avanços, ainda existem países que ainda relegam a mulher essa função social. E nada disso é natural!

Mulher brasileira nas lutas históricas

Apesar de a história oficial fazer pouca ou quase nenhuma referência, a mulher brasileira sempre esteve presente nas lutas e nos principais momentos de construção do nosso país enquanto nação desenvolvida. Podemos citar inúmeras mulheres que fizeram parte de momentos fundamentais da nossa história como, por exemplo, nas batalhas pela independência do Brasil, nas lutas pela abolição dos escravos, contra a ditadura Getulista, a ditadura militar, pela implantação da democracia em nosso país e nas lutas específicas em busca dos seus direitos.

Nas guerras pela independência destacamos a participação de mulheres como Maria Quitéria de Jesus uma baiana que lutou nos batalhões nacionalistas e tornou-se soldado em 1822; Anita Garibaldi, uma catarinense que participou das lutas republicanas durante a Guerra dos Farrapos em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e posteriormente lutou pela unificação da Itália, na Europa; Bárbara de Alencar, escritora e avó do escritor José de Alencar,uma pernambucana que participou da revolução de 1817, foi presa, passou muitos anos em calabouços afirmando que “não queira ser rainha não! Queria ser rei!”.

Nas lutas pela abolição dos escravos destacamos a participação de Maria Firmina dos Reis (1825-1917), escritora, jornalista; Chiquinha Gonzaga (1847-1935), que escandalizou senhoras com seus modos livres e fascinou senhores; Maria Amélia de Queiroz, professora e abolicionista que além da contribuição escrita, proferia palestras públicas em defesa da libertação dos escravos e do divórcio.

Assim como em todo o mundo, no Brasil, por centenas de anos, as mulheres estiveram ausentes da vida política. Com a conquista do direito ao voto em países como Inglaterra e EUA, o movimento sufragista ganhou ainda mais força por aqui. Desta forma, no dia 24 de fevereiro de 1932, Getúlio Vargas foi obrigado a assinar um decretodeterminando que “era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo”.

A década de 20 foi privilegiada no que diz respeito às lutas e propostas de mudanças sociais no Brasil. Nesse processo, merece destaque a participação de Rosa de Bittencourt, uma operária que se tornou líder sindical, Alzira Soriano de Souza, eleita prefeita de Lajes (RN), em 1929; Leolinda Daltro, uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino, em 1910. Mulheres que tiveram projeção nas lutas políticas e operárias como Olga Benário, Laura Brandão, Isaura Casemiro Nepomuceno, Erecina Borges de Lacerda, Sylvia Carini, Margarida Pereira, Maria Lopes, entre tantas.

A história do Brasil é repleta da participação de inúmeras mulheres que, com uma visão para além do seu tempo, contribuíram para a formação desse país enquanto nação livre, democrática e desenvolvida. Poderíamos citar inúmeras figuras femininas que nos séculos XIX e XX se destacaram nos esportes, nas artes, nas lutas por justiça social e, mais recentemente, nas lutas pela democratização do Brasil. Nossa homenagem a todas as mulheres brasileiras!

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