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Local da antiga fábrica de lenços e Fabbrica 5 funciona como moradia de sem-teto

Gabriela Gonçalves/São Paulo Antiga


O imóvel já serviu de fábrica e balada na Mooca, agora segue abandonado e tomado por moradia de sem-tetos

A antiga Fábrica localizada na Rua da Mooca com a Avenida Alcântara Machado já foi espaço de fábrica de lenços e casa noturna. A propriedade foi construída em 1804 por empresários ingleses.

Fundada em 1910, a antiga Fábrica Tecidos Labor S/A, conhecida como Lenços Presidente, uma das maiores produtoras de lenços de algodão do país e da América Latina. Durante muito tempo empregou operários de toda a região, muitos deles imigrantes italianos.

Depois de anos surgiu o projeto Fabbrica 5, inaugurado no dia 23 de agosto de 2000, pelo apresentador Gugu Liberato, o ator Miguel Falabella e o empresário e apresentador Klaus Ebone.

O Fabbrica 5 era uma das casas nortunas mais populares de São Paulo, junto com o antigo Cabral, atual Bulls Club, na avenida Salim Farah Maluf, e o Moinho Santo Antônio, na Rua Borges de Figueiredo, atualmente está sendo construído a faculdade FAM. A casa abrigava por festa mais de 8 mil pessoas, com ritmos de anos 70, house, techno, trance ou garage.

Gugu Liberato e Miguel Falabella durante a inauguração da casa noturna (Foto: Reprodução)

Aliás, em 2001, a equipe Furacão 2000 realizou junto a casa o primeiro baile funk oficial de São Paulo, com os integrantes do Bonde do Tigrão e dançarinas de funk do Rio de Janeiro.

A arquitetura da casa foi mantida na época visando respeitar a estrutura original do prédio em uma área de 3.500m², com 12 ambientes, com pizzaria, karaokê, salão de beleza. Na entrada da casa havia espaço cultural com exposições e performances.

A grande atração era o aquário humano exibindo performances de sereias e nadadores com vista para a rua e para o interior da balada. E ainda havia um programa de TV transmitido pela TV Gazeta, ao vivo toda sexta-feira a partir da meia-noite.

A balada funcionava de quarta-feira a domingo, a partir das 22h. A matinê era aos domingos, das 17h às 21h.

O projeto acabou em meados 2005 e 2006, e desde então o imóvel segue abandonado.

Nos dias de hoje

Atualmente o galpão está servindo de ocupação de moradores sem-teto, abrigado por mais de 300 famílias, segundo os ocupantes. Conforme a reportagem da Folha de São Paulo, os sem-teto usam água e luz do imóvel desativado. O banheiro é coletivo. As famílias fazem a comida com fogareiros ou fogões.

O espaço está sendo construído em alvenaria por imigrantes haitianos no primeiro andar do espaço.

Segundo a reportagem, quando questionado se não era arriscado investir na compra de tijolos e cimento para construir no local, outro haitiano respondeu por ele. “Aqui não tem dono. Era tanta dívida que ficou tudo para o governo”, afirmou, sem saber muito bem o que dizia — o imóvel, na verdade, pertence a quatro empresas de uma família de sobrenome Mahfuz.

No local, a reportagem da Folha de SP encontrou o prédio em estado de deterioração, com madeiras nos telhados e janelas consumidas por cupim.

A entrada do imóvel se dá pela rua da Mooca, 699, onde carretos param diariamente para descarregar os tijolos.

Ainda abriram um buraco como passagem de entrada dos ocupantes na calçada da Avenida Alcântara Machado.

A Justiça já determinou a reintegração de posse do imóvel, tombado pelos órgãos de patrimônio estadual e municipal. A data ainda não foi definida, mas o mandado já foi expedido, afirma o advogado Franksnei Freitas.

Já o Conpresp, disse que, como o imóvel é particular, cabem ao dono sua conservação e decisão sobre o uso.

Local da antiga fábrica de lenços e Fabbrica 5 funciona como moradia de sem-teto
1 Comentário

1 Comentário

  1. Sandra Vaz

    14 de setembro de 2018 at 12:51

    Bela matéria!!!

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